“Tanto penar para morirse uno”
Miguel Hernández
“Tanto penar
para depois
se morrer ”
Miguel Hernández
Tradución de
Vera Luz Laporta
EM CARNE VIVA
“Tanto penar para morirse uno”
Miguel Hernández
“Tanto penar
para depois
se morrer “
Miguel Hernández
Conheceis vós as grandes ardências
das vastas planícies
quando o fogo que purifica
se propaga para tornar cinza
as antigas pastagens e assim deixar
crescer o verde por baixo da cega
luz da canícula? Conheceis vós
o coração atormentado presa
dos incêndios do amor? O coração
que sangra nas noites de insônia abandonado à
i
ntempérie da ira do Deus da paixão?
Trêmula, trêmula, vibra
a pergunta para vós que sabeis
da neve e do cárcere da neve.
Do passo dos anos e do abandono
Do saber extinguir-se nos braços de uma
paixão inútil. Sim, vós sabeis.
Ah, vós, as grandes planícies
Onde o amor corria até
noturnos astros para encher de luz
o coração das obscuridades!
Em carne viva o coração
agora apenas esperamos
Música das grandes esferas
e solitários sabemos que o gozo
é o minuto efêmero e que o céu
J
amais se funde com o mar.
Ah, vós frágeis em vossa
Ousadia de ser a luz
Castigada pelas mãos do homem.
Deixai crescer as ervas novamente
Em vossos corações.
Que não importem a penúria
do tempo. Os duelos nem a morte.
A velhice e o exílio.
Nós não passamos.
É o amor que passa. E é sua
Sombra que ruge por trás de outros verões.
Oscar Portela
Corrientes. Argentina
16 de abril de 2007
Abel e EdnaMinhas testemunhas.

